20 de agosto de 2013

Crítica: OS INSTRUMENTOS MORTAIS - A CIDADE DOS OSSOS




Direção: Harald Zwart.
Roteiro: Jessica Postigo, Cassandra Clare (livro).

Com: Lily Collins, Jamie Campbell Bower, Kevin Zegers, Kevin Durand, Lena Headey, CCH Pounder, Jared Harris, Jonathan Rhys Meyers.

MAIS UM FILME BASEADO NUMA SÉRIE DE LIVROS JUVENIS DE SUCESSO TENTA SEU LUGAR AO SOL EM HOLLYWOOD

Atualmente tudo o que é feito em Hollywood e empurrado para as massas são adaptações, refilmagens e continuações. Os Instrumentos Mortais: A Cidade dos Ossos se encaixa num desses derivados, o dos filmes baseados em sucessos (de variados níveis) literários infanto-juvenis. Porém, para cada adaptação que dá certo financeiramente (vide Harry Potter, Crepúsculo e Jogos Vorazes), temos também as que naufragam ou as que funcionam o suficiente para gerar continuações, mesmo que aos trancos e barrancos (As Crônicas de Nárnia e Percy Jackson).

Para não dizerem que eu desprezo completamente o subgênero das adaptações literárias juvenis, Harry Potter é uma grande série cinematográfica, e Jogos Vorazes despertou minha atenção para esse novo e cruel mundo. Fui também um dos poucos defensores do fracasso Dezesseis Luas (superior a Crepúsculo) e levo fé em Ender´s Game – O Jogo do Exterminador, que estreia no fim do ano. Dito isso, posso afirmar também que não existe muita defesa para o primeiro capítulo da saga Os Instrumentos Mortais

Baseada na série de livros criados pela americana Cassandra Clare, essa adaptação é mais uma que tenta desesperadamente pegar carona no sucesso dos filmes citados. E chega para provar que qualquer livro de fantasia atual mirado aos jovens será adaptado para o cinema. Clary é uma adolescente como outra qualquer. Até que um belo dia descobre que sua vida toda foi uma mentira, e tudo ao redor não é o que ela sempre imaginou. Clary é uma predestinada, e ao mesmo tempo em que descobre seus grandes poderes sobre-humanos, é apresentada a um novo mundo mágico. Soa familiar? 

Pois é, essa parece ser a fórmula da maioria das histórias assim, que já está se exaurindo. A protagonista Clary é interpretada pela filha do cantor Phil Collins, Lily Collins, que não teve muita sorte até agora na carreira, com destaque em produções dispensáveis como Sem Saída (2011) e Espelho, Espelho Meu (2012). A jovem de 24 anos (com aparência de 17) é carismática, mas o roteiro não lhe dá muito o que fazer. De uma coisa pelo menos Os Instrumentos Mortais não poderá ser acusado: de falta de tentativa. 

A trama simplesmente joga tudo em direção ao público para ver se alguma coisa cola. Aqui temos vampiros, lobisomens, demônios, anjos, feiticeiros, muita magia, portais mágicos, e não apenas um, mas dois triângulos amorosos. A única coisa que faltou foram os zumbis, que como somos alertados na forma de uma gag, não existem nesse universo. Há também certo tom mais pesado no filme, em relação ao que estamos acostumados a ver em tais produções. Cenas mais intensas e até certo nível, assustadoras, com cachorros se transformando em criaturas nojentas e coisas do tipo.

O filme também ganha pontos por apresentar de forma corajosa um personagem homossexual de destaque dentro da trama, se tornando assim talvez o primeiro filme baseado numa obra juvenil a fazê-lo. Além de um perturbador, e ainda não explicado cem por cento, caso de incesto entre os protagonistas que deveriam ser os pombinhos apaixonados. Mesmo com esses diferenciais, a obra é simplesmente bobinha demais, e tão rotineira que a maior parte do público terá esquecido basicamente o filme inteiro na semana seguinte. 

Tudo é extremamente esquecível, desde os personagens, os diálogos até os efeitos e as cenas. Um momento que deveria ser uma das grandes cenas de luta no meio do filme só faltou piscar na tela: “cena de luta obrigatória e padronizada” de tão ruim e escura. Acreditem, eu realmente não sabia o que esperar de Os Instrumentos Mortais, mas torcia para que funcionasse. Na sessão para imprensa na qual assisti havia um grupo de adolescentes fãs dos livros, que ao término estavam extasiadas, felizes com o resultado, e se perguntássemos aposto que diriam ter assisto ao melhor filme de suas vidas. Para todo o resto, receio que infelizmente o resultado não será tão satisfatório. 





   

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