13 de fevereiro de 2013

MEU NAMORADO É UM ZUMBI



Direção: Jonathan Levine.
Roteiro: Jonathan Levine, Isaac Marion (livro).

Com: Nicholas Hoult, Teresa Palmer, John Malkovich, Rob Corddry, Dave Franco, Analeigh Tipton.

CANSADOS DE SEREM OS VILÕES, OS ZUMBIS VIRAM OS HERÓIS DE SEU PRÓPRIO FILME 

De “A Noite dos Mortos-Vivos”(1968), chegando até “Zumbilândia” (2009) e a série “The Walking Dead” (2010), as criaturas mitológicas da sétima arte conhecidas como zumbis, ou mortos vivos, nunca estiveram tanto em voga. Sua fama começou justamente no filme da década de 1960, embora algumas outras produções mais antigas clamem a criação, foi com o filme de George Romero (que se tornou o pai das criaturas) que verdadeiramente se popularizaram. Percorremos um longo caminho até chegarmos a “Meu Namorado é um Zumbi”, produção mirada ao público juvenil baseado num livro de Isaac Marion conhecido originalmente como “Warm Bodies”, ou Corpos Quentes (o filme iria se chamar “Sangue Quente” a princípio no Brasil). A proposta aqui é subverter tudo o que conhecíamos da mitologia de tais criaturas, apresentando um novo ângulo (assim como uma outra série juvenil fez com certas criaturas das trevas, que não irei nomear).

Na trama, o mundo foi devastado e a maioria dos seres existentes no planeta são justamente os comedores de carne humana. O filme é evasivo sobre o que de fato gerou tais criaturas, já que o foco aqui não é esse, e sim o relacionamento entre um dos zumbis, conhecido como R, já que isso é tudo o que consegue pronunciar e lembrar de seu nome, e a humana resistente ao apocalipse, Julie. Um pequeno grupo de humanos luta bravamente para exterminar tais criaturas e sobreviver. No comando está o pai de Julie, interpretado pelo veterano John Malkovich, o nome mais famoso do elenco. Uma vez tendo seu pelotão exterminado, Julie é levada para a casa de R, dentro de um avião no aeroporto, e lá os dois começam a se conectar. O casal protagonista é interpretado por Nicholas Hoult (o menino de “Um Grande Garoto”, filme com Hugh Grant) e Teresa Palmer (de “O Aprendiz de Feiticeiro” e “Eu Sou o Número Quatro”), e a dupla se sai bem, principalmente Hoult, em sua interpretação convincente de um zumbi. Palmer, que muito lembra um clone de Kristen Stewart, ainda precisa mostrar a que veio.


O diretor aqui é o talentoso Jonathan Levine, que também adaptou o livro para o cinema. Levine estreou na direção com o terror rotineiro “Tudo por Ela”, estrelado pela bela Amber Heard, então está familiarizado com o gênero. Em 2011, o diretor surpreendeu ao entregar o eficiente e emotivo “50%”, dramédia sobre um jovem (Joseph Gordon-Levitt) que se descobre com câncer, o filme ainda trazia um grande elenco que incluía Seth Rogen, Anna Kendrick, Bryce Dallas Howard e Anjelica Huston. Agora parece que Levine retrocede o que havia construído para sua carreira com “50%”, ao entregar um filme totalmente adolescente, que deseja conversar apenas com essa fatia do público. “Meu Namorado é um Zumbi” é interessante em seu conceito, ao apresentar um ângulo nunca mostrado dentro da mitologia criada para tais seres, ou seja, quem afinal são os zumbis. Criaturas secundárias dentro de seus próprios filmes, pela primeira vez ganham destaque como protagonistas. Algumas coisas precisavam ser mudadas, e agora de seres irracionais movidos apenas pela fome e matança, eles se transformam em criaturas pensantes que não controlam seus próprios corpos. Ou pelo menos alguns deles.

O amor pela personagem Julie faz o coração de R voltar a bater assim que coloca os olhos na bela loirinha, talvez ajudado pelo fato de ter acabado de consumir as memórias de seu namorado (Dave Franco). O comediante Rob Corddry tem um desempenho honesto e contido como o melhor amigo de R, o zumbi M ou Marcus. Como precisamos ter vilões aqui, eles vêm na forma dos Esqueléticos, criaturas além de zumbis, que se deterioraram tanto que agora possuem a forma de semi-esqueletos. Como tais criaturas conseguem enxergar e sentir cheiro não me pergunte. “Meu Namorado é um Zumbi” é um filme inofensivo, é quase como uma adaptação da Disney para os filmes de mortos-vivos, talvez com um pouquinho mais de sangue. Porém, o que desaponta no filme é saber exatamente o que irá acontecer nas telas uma vez tendo visto seu trailer, ou lido a sua sinopse, ou quem sabe até mesmo olhando para o seu cartaz. Não existe uma mínima surpresa aqui, e essa é a grande decepção do filme. Particularmente gosto de ser surpreendido por um filme, não saber o que me espera, assim como acredito a maioria das pessoas.


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